No amor há sempre QUÍMICA!

O amor tem, efetivamente, uma explicação do ponto de vista da Química. Não é à toa que ouvimos “Há Química entre nós!”. De facto, a Química consegue explicar todos os momentos que nós vivemos ao longo do livro da nossa vida, neste capítulo do amor. Por certo, Luís de Camões já entendia a complexidade deste tão nobre sentimento, quando escreveu um dia:

“Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

(…)”

No entanto, saberia, este grande poeta, quando escreveu este poema, do quão complexa é a explicação química para o amor?

Inegavelmente, o amor é aquele sentimento que move as nossas vidas. Visto quer como um fenómeno espiritual, quer místico, é também muito físico. Sobretudo, temos a certeza que o amor determina o nosso comportamento durante toda a nossa vida. Analogamente, importa perceber que este sentimento é um fenómeno neurobiológico muito complexo, que tem por base atividades de confiança, crença, prazer e recompensa por parte do nosso cérebro. Com efeito, estas atividades envolvem compostos químicos que atuam sobre o nosso corpo e sobre o nosso cérebro. Há, assim, a transmissão de várias sensações e comportamentos que relacionamos com o amor.

As três fases do amor

Ai, o amor! Este sentimento transforma vidas, traz uma explosão de sensações, como a confiança, a euforia, a alegria, a tristeza e os mais variados desejos. Quando estamos apaixonados inúmeras explosões químicas ocorrem no interior do nosso organismo.

A Química explica estes comportamentos e sensações em três fases, cada uma delas com as suas características emocionais e os seus compostos químicos específicos.

A primeira fase

Designada por “fase do desejo”, é desencadeada por duas hormonas, a testosterona, no caso dos homens, e o estrogénio, no caso das mulheres. A circulação destas hormonas no nosso sangue inicia-se na fase da adolescência e desperta o nosso cérebro para a procura de parceiros.

As fórmulas de estrutura destas moléculas ilustram-se abaixo:

A segunda fase

Denominada por “fase da atração”, é relativa a quando nos apaixonamos. Inegavelmente, nesta fase, perdemos o apetite, não dormimos, não conseguimos concentrar-nos em nada a não ser na pessoa por quem estamos apaixonamos. Acima de tudo, estão em jogo um conjunto de compostos químicos que afetam o nosso cérebro: a norepinefrina, que acelera o bater do coração; a serotonina, que nos descontrola, e a dopamina, que nos faz sentir felizes. A fim de controlar todos estes compostos químicos, designados por neurotransmissores, está a feniletilamina.

Para os mais interessados, ficam as fórmulas de estrutura destes neurotransmissores:

A saber ainda que, nesta fase, podem acontecer coisas surpreendentes, que por vezes dão origem, simultaneamente, a situações divertidas e embaraçosas: quando vemos a pessoa amada, as nossas pupilas dilatam-se, o rosto fica vermelho, os batimentos do coração aceleram, ficamos arrepiados, as mãos suam, a respiração falha e os lábios ficam mais rosados.

A terceira fase

Chamada de “fase da ligação”, quando passamos à fase do amor, ultrapassando a fase da atração/paixão. Agora fortalecem-se os laços para as pessoas permanecerem juntas. Por conseguinte, há duas hormonas importantes nesta fase: a oxitocina e a vasopressina. A primeira, também é denominada por hormona do “carinho” ou do “abraço”. A segunda, é conhecida como a hormona da fidelidade.

As fórmulas de estrutura são complexas, conforme se exemplifica:

Além disto, a oxitocina está também associada ao momento do parto e da amamentação, provocando contrações no músculo uterino e a produção de leite. Portanto, numa outra fase tão relevante da vida de uma mulher, esta hormona possibilita a ligação entre a mãe e o bebé.

Propomos ainda que assista ao vídeo seguinte sobre esta temática, que consideramos muito interessante e pertinente.

Sem dúvida, estes conhecimentos permitem inferir que a Química está em todo o lado e ajuda-nos, grandemente, a compreender os mais variados fenómenos. E, a fim de vos deixarmos mais curiosos, afirmamos que escolhemos o nosso parceiro por gostarmos do seu cheiro! Ficará esta explicação para outra oportunidade…

 

 

 

11 comentário em “No amor há sempre QUÍMICA!

  1. Nadir Antunes comentou:

    De grande interesse esta explicação. Mais uma prova de que a Química é extremamente relevante!

  2. Adriana Vieira comentou:

    Deveras impressionante a forma como o amor pode estar ligado à Química. Ansiosa para o próximo!

  3. Carla Inácio comentou:

    🙂
    A propósito desta linda publicação…. Uauuuuu… resta-me acrescentar que o amor faz-nos tão bem. [Incrível ]…. comigo a caminho de 13 anos a dois às vezes merecíamos mesmo um prémio de resistência…
    Muito bom.

  4. Inês comentou:

    Adorei este artigo. Não imaginava que existia uma relação tão próxima entre o amor e a química. Parabéns à autora deste artigo!❤🌡

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *