O impacte das novas tecnologias nas nossas crianças

Com a vida agitada que a esmagadora maioria das famílias tem, chegar a casa no final de um dia de trabalho, muitas vezes esgotante, é um momento ansiado. Assim, torna-se um hábito cada vez mais comum sentar os filhos à frente da televisão ou dar-lhes um tablete ou telemóvel para a mão. É que, para além do merecido descanso, há, simultaneamente, várias tarefas domésticas que estão por fazer.

De facto, o uso indiscriminado dos dispositivos informáticos tem sido um truque muito utilizado pelos pais/encarregados de educação, especialmente na hora da refeição, para que os pequenos estejam quietos e sossegados.

Os estudos revelam dados assustadores! A saber, cerca de 66% das crianças entre os 3 e os 5 anos de idade consegue usar jogos de computador e 47% sabe usar um smartphone.

Tempos antigos versus tempos modernos

Os brinquedos e as brincadeiras de antigamente foram trocados pelo telemóvel, tablete, televisão e computador. Se antes estimulávamos o corpo todo, agora as nossas crianças estimulam os dedos e os braços, quando muito. Esta nova tendência que a sociedade tem demonstrado não chega sem prejuízos. As crianças aumentam a sua massa corporal, estão mais apáticas, mais doentes e perdem a sua autonomia.

Nos tempos antigos, as brincadeiras eram mais tradicionais: saltar, correr, andar de bicicleta, dançar, jogar futebol, permitindo que as crianças desenvolvessem as mais diversificadas competências/capacidades: criatividade, autonomia, responsabilidade, força, agilidade, resistência, flexibilidade, equilíbrio, negociação, entre outras.

Antigamente, privilegiávamos as conversas em família e a interação com os amigos. Hoje, colocamos as crianças a ver desenhos animados ou a jogar no telemóvel. Antigamente, as crianças sabiam atar os cordões dos seus sapatos. Hoje não sabem.

Que tempos são estes? Pagaremos, com certeza, a fatura deste novo modo de vida, num futuro próximo!

Orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS)

Precisamente neste âmbito, a Organização Mundial de Saúde, publicou a 24 de abril passado um conjunto de conselhos no que respeita ao tempo de exposição das crianças a aparelhos eletrónicos.

Assim, se a criança tiver até um ano de idade, não deve ter nenhum contacto com as novas tecnologias. Se tiver dois anos, poderá estar em contacto com a televisão ou o telemóvel, cerca de uma hora, diariamente.

Analise o que é recomendado pela OMS, relativamente ao uso de dispositivos eletrónicos, consoante as idades das crianças:

O uso excessivo de novas tecnologias é, certamente, prejudicial ao desenvolvimento e à aprendizagem das crianças.

Ressalva-se que os inconvenientes apresentados estão associados a crianças até aos 4 anos de idade. Em idades mais avançadas, as novas tecnologias apresentarão outro tipo de riscos.

Todavia, é certo também que são facilitadoras da aprendizagem, constituindo muitas vezes contextos escolares inovadores e desafiantes para os alunos. Por exemplo, as Future Classroom Lab, que já apresentamos anteriormente, pretendem ser um ambiente multifacetado de aprendizagem.

As novas tecnologias representam, igualmente, uma mais valia para a Educação Inclusiva, assunto que também já exploramos. Possibilitaram o aparecimento de equipamentos/softwares que respondem às mais variadas problemáticas que os alunos possam apresentar.

Em resumo, as novas tecnologias são imprescindíveis no mundo atual. Trazem, indiscutivelmente, inúmeras vantagens permitindo a evolução e o progresso da humanidade. Não obstante, as nossas crianças devem usá-las com moderação e com controlo por parte dos adultos.

5 comentário em “O impacte das novas tecnologias nas nossas crianças

  1. Adriana Costa comentou:

    Texto excelente. É verdade que as TIC apresentam muitas vantagens, mas também muitas desvantagens. Enquanto pais devemos ter cuidado com o tempo que os nossos filhos estão com telemóveis e tablets. Nunca é demais falar deste tema. Está devidamente fundamentado com as recomendações da OMS. Congratulações pelos temas que têm apresentado que são de grande valia.

  2. Soraia Costa comentou:

    Assunto que me interessa muito. Estou sempre a dizer que devemos dar mais atenção às crianças, mas é como refere o autor deste texto, com a vida tão agitada que levamos, nem sempre conseguimos. Queremos é sossego, todos passamos por isto… É relevante que haja estas chamadas de atenção de vez em quando, com textos destes a fazermos refletir. Obrigada.

  3. João Pereira comentou:

    Para além do conteúdo, que acho muito pertinente atual, a apresentação colorida dos artigos motiva a leitura. Congratulações!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *